Quem me conhece hoje sabe muito bem da minha paixão por animais e, principalmente, pela minha filha mais nova, a Biduca. Mas nem sempre foi assim. Devido a alguns incidentes na minha infância, sempre tive um trauma muito grande de cachorros e outros animais também, não deveria ser assim, afinal venho de uma família que sempre teve animais. Meu avô criava carneiros, porcos, etc. Até tenho uma foto, provavelmente com uns 4 anos, no colo de meu avô totalmente desesperada porque estava perto de um suíno enorme, deveria ser uma menina acostumada com isso, mas acabei me tornando uma menina da cidade.
Depois de adulta continuei da mesma maneira, nunca chegava perto de um cachorro, não gostava e morria de medo. Quando via pessoas com cachorrinhos em lugares inusitados, sempre dizia: “Por que não deixou em casa?”, ou: “Lugar de animal é do lado de fora da casa” e outras frases do tipo.
O tempo foi passando e quando eu tinha 22 anos nasceu minha filha Elisa. Ela tinha medo também, provavelmente (com certeza) por culpa minha. As vezes ela via um filhotinho e fazia menção que ia fazer carinho no bichinho, nesse momento eu a fuzilava com um olhar que ela desistia na hora do carinho, mas ela sempre teve o desejo de ter um animalzinho. Tivemos duas tentativas frustradas: um gato e depois um cocker, os dois não deram certo. O gato pelo fato de eu já ter um pré-conceito e não saber lidar com o animal e o cocker, por falta de sensibilidade de imaginar que essa raça se adaptaria num apartamento pequeno, que nós morávamos na época. Se passaram muitos anos, eu já não tinha tanto preconceito a respeito dos animais, mas não chegava ao ponto de gostar deles. Então eis que um dia eu e minha filha
passando em frente a uma feira de filhotes resolvemos parar, eu disse: “Tudo bem mas só vamos olhar, SÓ OLHAR”. Olhamos, olhamos e, de repente, a Elisa viu a Biduca. Foi amor à primeira vista, ela pegou o rostinho dela virou pra mim e disse: “Olha mãe, que coisa mais lindinha”, confesso que fiquei encantada, resultado: adquirimos essa belezinha. Chegando em casa, deixei bem claro que jamais iria pegar ela no colo, agradar ou fazer essas coisas que sempre critiquei. Ela ficaria sempre na área de serviço e jamais, JAMAIS dormiria na cama. Nos dois meses seguintes, tenho que confessar, foram terríveis, não sabíamos como lidar com ela. O idiota que nos vendeu a Biduca, nos deu informações erradas a respeito de como educá-la e tivemos que aprender sozinhas. Mas o tempo foi passando e fomos nos adaptando a ela, e ela a nós, e fomos nos apaixonando.
Chegou o inverno e a Elisa queria trazer ela pra dormir na cama, mas como eu já havia dito que isso JAMAIS iria acontecer, depois que eu pegava no sono a Elisa levava a Biduca pra dormir com ela. Daí não tinha mais como voltar atrás.
Resumindo, hoje essa menininha tem 9 anos, nos fez ver muitas coisas e eu a amo tanto que nem posso imaginar ficar sem ela. A amo tanto que coloquei porta afora um técnico que veio arrumar minha lavadora, porque ele bateu nela. E sabe aquela história de JAMAIS dormir na cama? Pois é, hoje é na minha cama que ela dorme. Ela me fez ver as coisas de outra forma, me fez ver que podemos e devemos mudar de opinião, me fez ver que animais são, na maioria das vezes, muito melhores que humanos e também me fez ver que eu estava errada quando dizia que mãe sempre tem razão, em algumas ocasiões temos que ouvir nossos filhos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário